Betim foi parar na mídia de uma maneira pouco convencional na semana passada. A jovem Tauanny Medeiros Cavalcante, de 18 anos, estudante de direito da PUC Minas em Betim, resolveu (e só a família para saber) fugir de casa. Ela alega problemas pessoais e se não fossem os desdobramentos deste episódio – uma releitura de “pobre menina rica” - o caso pode ter resultado em mais problemas. Tauanny foi achada trabalhando como caixa da na boate de prostituição Chaparral Night Club na Av. Itaquera, na Zona Leste de São Paulo. Sua epopéia às avessas durou menos de uma semana, e não se fala em outra coisa na cidade.Popularizada pela força imediata da internet, a façanha de Tauanny já figura como assunto de emails e “bate papos” pelo msn entre os moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte. É quase consenso na cidade: a menina exagerou. Supostamente ela teria dito algo à família. Ela voltou para casa, em segurança, mas deixa como “legado” a insatisfação das pessoas que se comoveram com a possibilidade da menina ter sido sequestrada. Graças a Deus, não foi!
Vou mais longe. O caso Tauanny/sumiço/boate dividiu a atenção não só de meus colegas jornalistas – que se empenharam em apurar mais sobre a notícia – mas também da Polícia. Ela não foi a única a sumir na mesma época. As buscas pela jovem, Natália de Almeida Paiva, 27 anos e mãe de dois filhos, pode ter sido afetada pela errônea conotação de desaparecimento que Tauanny trouxe à fuga espontânea.
Natália cursa o primeiro período de direito e foi vista pela última vez quando saiu de casa no dia 7 de outubro para ir à faculdade. O carro que Natália dirigia foi encontrado no dia seguinte, no Bairro Barreiro, próximo a sua casa, com sua mochila e documentos dentro e sem sinais de arrombamento, mas com arranhados que teriam sido feitos por galhos e a parte inferior danificada. Ela ainda não foi encontrada.
O que mais me assusta é como estamos, nós jornalistas, frágeis a estas notícias absurdas. A jovem Natália, que até então, está desaparecida, dividiu a atenção dos investigadores com o caso da também estudante da PUC Betim. E não é exagero dizer que isso pode ter afetado as suas buscas por Natália.
Que me perdoem pelo clichê. Mas fica a pergunta: Até que ponto devemos dedicar tamanha atenção a casos como o de Tauanny? Ou como avaliar se trata-se realmente um desaparecimento ou apenas da pirraça de uma menina mimada? Difícil, muito difícil descobrir.





