Sou daqueles que ainda não receberam flores
Sou daqueles que ouvem, bem mais que belas canções de amores
Também sou assim, do tipo emblemático, do tipo sistemático, do tipo que não identifica sabores
Sou dos que acordam tarde, dormem cedo e quase não ficam acordados
Não consigo ver felizes aqueles que estão por fim a sós, amordaçados
Mas sou dos que sozinho se sentem rei
Apenas amados!
Sou dos que não temem à vida, apenas a veneram
Sou dos que não pagam sentimentos a prazo, sou dos que vestem a camisa de pele, sou dos que amam de prontidão, não fazem acepção, que aceitam o não, como uma doce verdade, uma verdadeira contradição.
Choro em sessões, derramo dor em minhas emoções vivo o dia em poucas versões
Não sumo do mapa, eu o reescrevo de acordo com meus próprios desejos
Como quem dá ração aos bois, alimento meus medos,
Sou pouco, preciso, objeto e rascunho
Enfio os pés por meio de meus próprios punhos
Não sonho realizações, não temo paixões, sou metade de minha indicações
Levanto bandeiras
Arregaço minhas meias
Arremesso minhas contradições
Porque sou de carne das muitas imediações
Sou de marte, capital de minhas canções
Sou meio, inteiro, misto de muitas comparações
Sou assim, eterno em todas as situações, que fecha os olhos para as inquietações
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