terça-feira, 17 de agosto de 2010

Poema para se ler ouvindo

Sou daqueles que ainda não receberam flores

Sou daqueles que ouvem, bem mais que belas canções de amores

Também sou assim, do tipo emblemático, do tipo sistemático, do tipo que não identifica sabores

Sou dos que acordam tarde, dormem cedo e quase não ficam acordados

Não consigo ver felizes aqueles que estão por fim a sós, amordaçados

Mas sou dos que sozinho se sentem rei

Apenas amados!

Sou dos que não temem à vida, apenas a veneram

Sou dos que não pagam sentimentos a prazo, sou dos que vestem a camisa de pele, sou dos que amam de prontidão, não fazem acepção, que aceitam o não, como uma doce verdade, uma verdadeira contradição.

Choro em sessões, derramo dor em minhas emoções vivo o dia em poucas versões

Não sumo do mapa, eu o reescrevo de acordo com meus próprios desejos

Como quem dá ração aos bois, alimento meus medos,

Sou pouco, preciso, objeto e rascunho

Enfio os pés por meio de meus próprios punhos

Não sonho realizações, não temo paixões, sou metade de minha indicações

Levanto bandeiras

Arregaço minhas meias

Arremesso minhas contradições

Porque sou de carne das muitas imediações

Sou de marte, capital de minhas canções

Sou meio, inteiro, misto de muitas comparações

Sou assim, eterno em todas as situações, que fecha os olhos para as inquietações

0 comentários: