Poucos nomes da política brasileira conseguirão, em pequeno espaço de tempo, chegar aonde o ex-vice-presidente José Alencar chegou. Começo meu post com o que poderia ser a última frase desse texto. Não é exagero. Não escondo a minha identificação com o legado deste homem, referência para um país cada vez mais carente de bons exemplos. Não posso deixar me ater ao fato de que desde que se tornou uma figura pública nacional, a doença de Alencar já era de conhecimento público, assim como a luta – repleta de garra e fé – que travou contra ela durante todos estes anos.
O Câncer não venceu a guerra. Um homem que a todo momento transparecia uma total serenidade diante da grande adversidade que viveu durante todos esses anos, não pode ser jamais conhecido como um “derrotado”.
O mineiro de Muriaé começou na política com 62 anos, morreu aos 79. Começou por baixo na sua vida privada, para atingir o ponto máximo de sua carreira como presidente do Brasil, por algo entorno de 350 dias. Ele foi balconista de uma loja em Caratinga e chegou a onde chegou. Não há nenhum risco em sua vida que possa desaboná-la ou tornar sua imagem algo pouco menos que fantástica.
Dono de uma das maiores indústrias de tecido do país, a Coteminas, ele será sempre lembrado pela forma humana com que conduziu seus negócios e sua própria vida pessoal, discreta e baseada na boa relação familiar. O carisma e a sensatez sempre o acompanharam em sua trajetória. Muitos dizem que essa relação está amplamente baseada na família – e quem vai duvidar disso?
Alencar passou ainda pelas associações comerciais de Caratinga e de Ubá, pela Associação Comercial de Minas e pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte. Essa trajetória culminou com sua eleição para presidente da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), que o projetou nacionalmente.
Ser o vice do mais popular presidente do País credenciou “Zé” Alencar a assumir a figura de coadjuvante que nunca demonstrou desconforto com o papel que conquistou após uma aliança entre o já extinto PL (seu partido) com o PT (partido que se mistura à figura do próprio Lula). Em 2002, ao aceitar o convite para ocupar a vaga da chapa “lulista” nas eleições para a Presidência do Brasil, Alencar trouxe o empresariado para o lado dos movimentos sociais em defesa dos trabalhadores. A “dobradinha” nada mais foi do que a demonstração de um amadurecimento, uma evolução política e democrática que trouxe como frutos os altos índices de popularidade do ex-presidente, Lula, que ontem (30/03) recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra,
Alencar e Lula nem sempre concordaram. As altas taxas de juros praticadas no Brasil poderiam ter causado desconforto no Palácio do Planalto, mas isso não ocorreu. Muito pelo contrário. Alencar sempre foi correto em suas palavras e objetivo em suas atitudes. Ele era defensor público de que no Brasil, as taxas são absurdas. Mas a discordância foi sempre positiva na relação dos dois. Foi de uma maneira peculiar, no melhor estilo “mineiro de ser”, que Alencar se tornou uma figura pública respeitada.
1 comentários:
Muito bom Marcinho!
E há um fato histórico que soma ainda mais a dignidade na vida dele, quando em agosto de 2005, um grupo de parlamentares o procurou para saber se ele assumiria no caso de um impechment de Lula.
Ele respondeu: "Entrei com o presidente e saio com ele".
Estava decretado ali, o fim da tentativa de golpe para derrubar Lula.
Assim sendo concordo com o Lula: José Alencar é sinônimo de lealdade e honra.
Ademais, outras tantas qualidades que ele tinha, foram ditas neste seu belo texto. parabéns!
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