Minhas cenas em São Paulo têm sido recheadas de muita coisa: medo, graça, encantado, raiva, pressa, desejo e pensamentos livres que me levam a pensar em qualquer coisa inusitada. De repente, eu vejo tudo ao mesmo tempo. Seja sob as escadas rolantes do metrô, seja pelas calçadas da Augusta, seja pela imponência da cidade...
Moram aqui mais de 18 milhões de pessoas. Todas reunidas em um espaço imenso de prédios e ruas, em um equilíbrio desequilibrado quem compõem uma confusão sem precedentes. Há muitas pessoas, muita gente mesmo. Há pessoas de todos os jeitos e tamanhos. Há vielas e guetos assustadores, frequentados por pessoas de bem, tanto quanto por pessoas com más intenções. O normal de uma grande cidade.
Há barulho por todos os lados. Há pessoas falando sozinhas e há ainda pessoas que não fazem questão alguma de falar nada. Nunca sei se estão assim, mudas, se por falta de interesse pelas pessoas ao seu redor, ou pq entre tantos sons, o melhor ainda é se calar.
Há música nos carros, há canções estranhas por todos os cantos. Mas ao mesmo, não se ouve música alguma, já que as buzinas e frenagens são ainda em maior número. Há quem diga que São Paulo nunca dorme. Há quem acredite que o metrô é a única forma de se sobreviver em movimento nesta cidade.
Há quem ache tudo isso normal - eu ainda não me acostumei. Há pessoas revoltadas e demonstram isso tudo não só pelas atitudes – manifestações e gritos de revolta não são a única forma dos paulistanos (nativos e não) demonstrarem sua indignação. Há adolescentes com variadas formas de se vestir, andar, pintar o cabelo e até mesmo de usar o sexo.
Há mineiros, cariocas, nordestinos, gaúchos, catarinenses, japoneses, espanhóis, argentinos, bolivianos, coreanos, africanos, australianos, austríacos... há uma convenção improvisada da ONU em quase toda festa despretensiosa da qual se faça parte. Há nacionalidades que talvez você não conhecesse, caso não estivesse em São Paulo.
Há sebos, há casas de massagem, há farmácias, há restaurantes, há sinagogas, há tudo em São Paulo, ou quase tudo. Vejo que aqui há uma reunião muito grande do que o mundo foi capaz de criar. Há quem diga ainda que São Paulo se pareça demais com Nova Iorque. Há pessoas que acreditam que nossa megalópole já se diferencia da “Capital do Mundo” pelo simples fato de que temos menos ar puro e bem mais engarrafamentos... mas acho que a diferença está naquela amiga feia que você sempre acha que está linda, porque ela é ela sempre ela, mesmo não querendo ser assim sempre. Uma linda feia que é um encanto, sempre que se encontra com ela.
Eu ainda me impressiono com São Paulo e ainda acho essa cidade de uma beleza quase gótica, mas seria limitar demais achar um único sinônimo para uma cidade dessa intensidade, desse tamanho e com essa potencialidade.
São Paulo não cabe em definições feitas com pressa, mesmo que ela mesmo só ande assim. São Paulo não pode ser tratada como um lugar de raiva e revolta, pq a cidade ainda oferece condições para que, mesmo entre milhões, você possa ter o seu momento exclusivo com ela. Falo de uma cidade com vocação nata para fazer das pessoas profissionais realizados, mesmo que enfrentem trânsitos caóticos, poluição absurda e até alguns casos extremos de violência. Tudo isso pq me refiro à cidade que é cantada e representada sempre, em todos os momentos e citada como destino de milhões de pessoas do mundo todo. São Paulo é como ela é: a maior de todas!
1 comentários:
Você arrasa sempre Marcinho! Texto digno de um observador de extrema sensibilidade que somada a sua competência, fazem de você um jornalista brilhante. Bjs
Postar um comentário