domingo, 2 de outubro de 2011

BH não pode passar vergonha na Copa

Escrevo em resposta ao artigo escrito pelo senhor – publicado no segunda edição do jornal Metro (29 de setembro de 2011) – em que enaltece o suposto estado adiantado em que se encontra Minas Gerais na preparação para a Copa do Mundo de Futebol masculino em 2014. Então, venho dizer-lhe que sua animação quanto à realização da Copa do Mundo 2014, com Belo Horizonte como sede, deve vir acompanhada de preocupação quanto à nossa capacidade de realizar tal evento de proporções mundiais.

Caro governador não estou aqui “jogando água fria” no sonho mineiro de receber a Copa do Mundo. Eu sei que suas intenções são as melhores e, como mesmo disse o senhor, “apaixonado pelo futebol” que é, deve saber que, na forma como estamos hoje, BH não conseguirá “fazer bonito”. Embora já tenhamos feito muito a esse respeito.

Veja, no caminho do aeroporto de Confins, no último sábado (1/10), até o centro da capital encontrei cenas chocantes. Na Avenida Antônio Carlos, a qual recebeu investimentos e obras importantes do governo tucano de Aécio Neves, vi pessoas nitidamente fazendo uso e crack, em plena luz do dia.

Também não é raro encontrarmos nas ruas da capital – e de suas cidades limítrofes – pessoas jogadas em praças públicas, debaixo de marquises ou simplesmente sujas e moribundas. Imagine o senhor o que pensarão nossos visitantes não acostumados a se deparar a cenas como estas. Se eu, já calejado por ver tantas cenas de degradação humana explícita, sinto-me chocado, não acredito que europeus, americanos, canadenses e demais povos visitantes se sentirão “relaxados” diante de brasileiros sem acesso às políticas públicas de qualidade, jogados ao relento e à toda sorte (ou azar, como preferir).

Este é o cartão postal que queremos deixar visível para os nossos visitantes¿ Acredito que não. Outra questão que muito me assusta é a mobilidade durante os dias da Copa. Se atualmente temos encontrado avenidas engarrafadas, trânsito caótico, vias públicas em péssimas condições, transporte coletivo longe de ser o esperado pela população... estaremos nós preparados para receber tamanho evento em apenas três anos¿

O metrô de BH não é, pelo menos atualmente, um exemplo de transporte público que atenda à população a “contento”. Chegar ao Mineirão sempre foi uma tarefa árdua - principalmente para os mais pobres que não possuem carros com ar-condicionado, GPS ou outras tantas parafernálias tecnológicas que transformam o trajeto em apenas mais um – para os pobres, senhor governador, chegar ao Mineirão em tempo de ver o seu time jogar é quase uma prova de resistência desses muitos realitys shows em exibição no Brasil.

Vou dar um exemplo: eu moro em Betim e trabalho no Distrito Industrial do Jatobá, região do Barreiro. Dois importantes corações da indústria mineira que, notoriamente, são desprovidos de condições viáveis de tráfego. Não uso carro – não conseguiria manter-me calmo diante de tantos atropelos pelo longo caminho entre as duas cidades – Mas mesmo de transporte coletivo [ e defensor deste] não consigo fazer esse trajeto (que não é muito longo, o senhor a de me dar razão) em menos de duas horas, isso quando não há nenhum acidente em nossas vias tumultuadas e cheias de “obstáculos”.

Nossa capacidade de hospedar visitantes já é de conhecimento público: nossa rede hoteleira é pífia. Não por não possuirmos hotéis e pousadas de qualidade, longe disso. A hospitalidade mineira está em nosso favor. Mas temos poucos leitos, senhor governador. Se um simples congresso realizado no Expominas já causa super lotação na nossa rede hoteleira, o que acontecerá quando a Copa se iniciar¿ Será que não é a hora de criarmos um programa de preparação para que os mineiros recebam em suas casas os visitantes mais atrasados que não encontrarão vagas em hotéis em BH e suas subsedes¿!

Vamos preparar esses moradores. Dar-lhes cursos. Ensiná-los o que oferecer como alimentação, hospedagem e algumas expressões em inglês. As nossas entidades de classe, como o Sebrae, podem ser nossos parceiros. Assim, nossa tão conhecida “hospitalidade mineira” não será arranhada por “espertinhos” que querem, apenas, ganhar “um trocado” durante o evento. E isso vale para outras áreas como restaurantes, hospitais, bares, lanchonetes e afins. Valos qualificar nosso povo.

Senhor governador, admiro a sua competência e dedicação à qualidade de vida dos mineiros. Vejo seu empenho em resolver tais questões. Mas ainda é pouco, meu caro e admirado governador. O senhor é sábio e tem em mente que precisamos oferecer mais que obras, precisamos nos unir, todos, em uma só força-tarefa para preparar-nos para esse que promete ser um marco na história de Minas Gerais. Se conduzido for de maneira correta.

Talvez eu esteja “chovendo no molhado”, mas nosso estado não é qualquer estado. Trata-se de MINAS GERAIS. Berço da identidade brasileira. Terra de tantos nomes, tantos mártires, tantos exemplos que precisam ser venerados diariamente. Senhor Governador Antônio Anastasia o que eu quero é fazer um apelo para que não se deixe entusiasmar com promessas e projetos que, talvez, não estejam levando em consideração que, após a Copa, nossos problemas continuarão os mesmo. Então que tal resolvermos tudo isso antes e deixar para o final só para receber os agradecimentos de uma massa torcedora entusiasmada¿! Ai sim, com fatos verídicos, não com promessas que teimam em insistir em erros.

Um breve apelo de um carioca apaixonado por Minas e que só quer o bem desse estado que também é meu.

Márcio Antunes Silveira

1 comentários:

Anônimo disse...

Meu estimado e compentente jornalista Marcio Antunes, querido Marcinho, só mesmo voce para expressar o sentimento que aflige a todos nós mineiros. Parabens e obrigada. Fátima Amaral - Especialista em Turismo.